Com os Mortos


Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,
arrastados no giro dos tufões,
Levados, como em sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos…

E eu mesmo, com os pés também imersos
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos…

Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei vivem comigo,

Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
Na comunhão ideal do eterno Bem.

Antero de Quental

2 comentários:

Grande Antero de Quental! A matéria morre, mas a alma
e, principalmente o amor, continuam; a alma, no aguardo
de uma nova missão, e o amor, eternamente no nosso coração.

Perdoe-me pela visita e pelas baboseiras.

Abraços de conterrâneo.

Furtado.

sorria, disse...

SAUDADES de VOCÊ
um super beijo