Mostrando postagens com marcador Texto ficcional. Mostrar todas as postagens

Eu Desabo.



Eu desabo na minha sensibilidade. Desabo quando vejo um filme bonito, desabo quando chove forte, desabo pra nascer de novo. 
Desabo e, logo, me reconstruo. Eu me apago só pra desenhar de novo. Desabo quando tenho medo, me reconstruo pra seguir adiante. Desabo pra alguém me proteger, me reconstruo quando preciso aninhar.

A indiferença me retrai, os sinais me trazem de volta. 
Dispenso o orgulho, mas ainda não sei encostar minhas verdades. Um dia cheguei a pensar que de tanto apanhar, poderia aprender um pouco a bater a ponto de machucar. Mas não aprendi. 

Eu continuo olhando o céu e fazendo de sua imensidão, a grandeza do amor que existe dentro de mim. Posso explodir, mas me esvazio do excesso e sempre sobra poesia. Eu sou o silêncio de qualquer discussão, eu sou um barulho em qualquer noite silenciosa. Eu carrego as palavras fielmente, por que descarrego palavras pra
aliviar meu peito.

Fran Hop

Fontes:
http://franhop.tumblr.com/post/96837437451?texto
https://www.pinterest.se/davidpaul/my-paintings/imagem

Porque é tão difícil ser Transparente?




Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente. 
Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros.
Mas ser transparente é muito mais do que isso. 
É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente.
Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que nos empenhamos tanto para levantar.
Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde!
Mas infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco.
Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana.
Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser.
Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas à simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos, que temos medo!
Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção.
E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos.
Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado.
Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar doçura, compaixão e a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos, daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!
Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: "você está me machucando, pode parar, por favor?".
Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro.
Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor.
Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura!
Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencível.
Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto.
Que consigamos docemente viver,  sentir, amar.
E que você seja não só razão, mas também coração, não só um escudo mas também sentimento.
Seja transparente, apesar de todo o risco que isso possa significar.


 Rosana Braga

Fontes;

Supondo o errado!



Suponhamos que eu seja uma criatura forte, o que não é verdade. 
Suponhamos que ao tomar uma resolução eu a mantenha, o que não é verdade. 
Suponhamos que eu escreva um dia alguma coisa que desnude um pouco a alma humana, o que não é verdade. 
Suponhamos que eu tenha sempre o rosto sério que vislumbro de repente no espelho ao lavar as mãos, o que não é verdade. 
Suponhamos que as pessoas que eu amo sejam felizes, o que não é verdade. 
Suponhamos que eu tenha menos defeitos graves do que tenho, o que não é verdade. 
Suponhamos que baste uma flor bonita para me deixar iluminada, o que não é verdade. 
Suponhamos que eu esteja sorrindo logo hoje que não é dia de eu sorrir, o que não é verdade. 
Suponhamos que entre os meus defeitos haja muitas qualidades, o que não é verdade. 
Suponhamos que eu nunca minta, o que não é verdade. 
Suponhamos que um dia eu possa ser outra pessoa e mude de modo de ser, o que não é verdade.

Clarice Lispector

Fontes:

Desejos



Tenho poucos desejos. Poucos, porém sinceros. E intensos. E antes que eu pareça alguém sem pretensões, sem sonho nem personalidade, vou logo avisando: tenho poucos desejos porque quero. Porque na verdade, não preciso de mais, sempre mais. Preciso do essencial, aos poucos, na medida certa. Isso ajuda a equilibrar meu super ego, que um dia já foi muito mais super, muito mais gêmeos. A idade também traz esse equilíbrio, essa moderação, esse querer comedido, porque quanto mais a gente sabe que nosso tempo está passando, e que algum fim se aproxima, mais temos calma em realizar as coisas, porque não precisamos que elas sejam urgentes. Precisamos que elas sejam perfeitas, ou que pelo menos possuam a sua parcela de perfeição que conforta a alma, aquele pedacinho que estava lá, faltando, pro seu dia ficar mais bonito. Não precisam ser noites perdidas e estar em casa de manhã. Basta serem alguns minutos, algumas horas, as pessoas certas, as palavras certas, a dose exata.


Luiz Marcel

Fontes:
http://tomazulado.blogspot.com.br/texto
http://devaneiocolorido.blogspot.com.br/2010_07_01_archive.html/imagem

Eu não escrevo mais!



Faz tempo que eu não escrevo mais. Quando me perguntam "por quê?" eu digo que é falta de tempo, silêncio ou inspiração. Mas na verdade não, só estou criando desculpas para não escrever, estou criando desculpas para não me ler nessas linhas mal contadas, estou com medo de me ver e não me reconhecer. Eu não escrevo mais. Eu temo em não achar as palavras certas. Então me enrosco, e compreendo todas as fragilidades dos seres humanos sobre se expressar e traduzir os engasgos. Perdeu, fugiu, foi pra alguma rua desconhecida como essas muitas em que tenho andado ultimamente, se perdeu naquela curva que sopra sobre os ombros e me leva pra longe. Eu não escrevo, não faço contas de matemática, não faço apostas, nem ao menos rabiscos. Dos meus desenhos sobraram só riscos, e eu perdi o risco por medo de errar. Eu não escrevo mais, perdi a força, amigos, o riso, as coisas. Também não corro mais, perdi meu joelho, meu elo, e até meu jeito. Não escrevo mais sobre meus sentimentos confusos, não lhe conto mais meus medos, não me importo em chorar para a câmera, não ligo de fotografarem meu drama se colocarem uma legenda suave, transformando aquele momento em poesia. E não foi bonito, não é bonito. Aquela música alta, as pessoas desviando seus corpos do meu braço fino e arrepiado, uma dor de cabeça velha voltando e me avisando que é hora para todos os remédios, mas não há remédio que cure. Se alguém perguntar por que foi que eu chorei, ninguém se importará em dizer, o silêncio me define cautelosamente em todos os segundos. Tem uma parte faltando, que não está aqui, não está lá. E eu já nem sei onde procurar.
Então penso em sair por aí andando sem rumo numa noite qualquer, mais uma pose, parar em frente a um bar e observar os homens descontrolados com suas bebidas que passam a me vigiar com olhos e bocas vermelhas me oferecendo cigarros, bebidas, comidas de bar. Provavelmente eu inventaria uma crise alérgica e uma rinite cansada. Qualquer coisa pra mostrar que eu sou diferente. Qualquer coisa pra afastar as pessoas de mim. Qualquer coisa pra fugir pra um outro lugar, outra pose, mais um flash. Só não sei mais de quem estou fugindo, se das pessoas ou de mim. Coloco fogos em todas as minhas vontades de mudar de bairro, de cidade, de clima e de estranhos. Aceito a palavra problema colada em meu nome, aceito o olhar de um bêbado para as roupas que visto, aceito alguns minutos de covardia para não sair distribuindo meu horror pelo mundo. Ser a medrosa de poses iguais querendo entender o porquê dessas fugas. Tentando copiar o final do filme onde a moça pede ajuda em uma mesa de bar e acaba encontrando um filosofo que entende da vida e de feridas internas, de dores expostas, de todo esse vocabulário escolhido em minha defesa. Quem sabe ele possa me explicar alguma coisa, ou pelo menos que alguém cantasse 'que também é uma gota d'água, um grão de areia', e que também tem medo ver o próprio rosto depois que o flash disparou. Tolices. Ninguém sabe sobre o antes de todos aqueles olhos vermelhos me pedindo uma explicação. Ninguém sabe porque eu não escrevo mais, só solto alguns mundos, e ecos mudos.

Desconheço o autor.

Fontes:

Eu e meu coração sozinhos em nossa solidão!


Depois que falei com você hoje pelo telefone e ouvir o NÃO quando perguntei se você queria ainda falar comigo, pensei ter entendido mal, que a frase tinha sido completada para aula no outro dia. Esperei estar enganada. Esperei um e-mail dizendo que não podia falar e que esta não tinha sido a resposta. Chorei depois quando a ficha caiu e notei que você realmente disse NÃO QUERO MAIS FALAR COM VOCÊ. Ai eu me pergunto o que fiz de tão grave para ele. Se tinha lhe ofendido, já tinha lhe pedido desculpas. Será que eu mereço ser tão odiada?

Acho eu tenho uma ideia errada sobre mim. Eu que me agarro a ilusões para manter meu coração quente com este amor que me aquece, me livra da solidão. Será que vale a pena? Sabe as vezes eu me acho parecida com estas loucas que perseguem as pessoas e elas só desejam se livrar delas, todas as vezes que insisto em te procurar. Liguei de novo pra me certificar, que aquela era realmente a sua resposta, outra pessoa atendeu, tive que desligar.

Bem, no seu caso, eu já tentei, tentei, tentei... e agora só me resta desistir e tentar refazer minha vida com o que eu tinha antes de você cruzar meu caminho. Apagar tudo e todas as lembranças e meios de entrar em contato com você e convencer meu coração que ele vai sentir muito frio durante um bom tempo e que pena que eu e ele vamos ficar sozinhos com nossa solidão. Mas amanhã é outro dia e o sol vai brilhar, eu tenho certeza.


Texto Ficcional

Fonte Imagem: http://amnenoteatrodepalavras.blogspot.com/