Celebrção


Amo as manhãs que se anunciam lentas
e se desenrolam entre os meus lençóis
suspensa a vida num estendal de roupa
esquecido o dia num raio de sol

Amo o dia que será . Mantas de arminho
na crista azul do céu - nuvens tão plácidas
recostadas no horizonte - ausentes como eu
e a intocável incerteza das marés que virão

Amo a serena inconstância do desejo
a celebração sempre adiada do meu corpo
a música que envenena as madrugadas
e os sonoros clamores do silêncio na calçada

Amo os astros que se encobrem nas manhãs
as claras fontes que regam a memória
os ninhos que os dois fazíamos outrora
e a tua alma incandescente de espuma

Amo a vida porque sou filha dos prados
e nasci nos jardins inventados pela bruma
sou neblina que busca o peito amado
sou o clamor dos mares incendiados

Cantarei todas as manhãs do mundo
para te doar a foz desperta do meu corpo
venha Junho, venha o mês dos frutos
e as manhãs serão sempre o nosso porto...


Fonte:www.oblogdalibelua.blogs.sapo.pt

1 comentários:

Ricardo Calmon disse...

Me sinto um velho gitano em woodstock,blog teu percebendo,diferenciado,de cores e sons inundados,good!
Em campos de girassois meus ,andarilhastes,pouse nele,e seja um deles(girassois).
Pelo teu perfil,escorpion pareces affmaria!

Uma tarde boa

e Viva La Vida