Caçador de Mim - Milton Nascimento
Saúde
Me cansei de lero-lero
Dá licença, mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor
Mas ninguém sai de cima, nesse chove-não-molha
Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim
Como vai? Tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar, não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva e cheia de graça
Talvez ainda faça um monte de gente feliz
Rita Lee
Fontes:
http://letras.mus.br/rita-lee/118834/letra
https://www.facebook.com/pages/Presentes-com-poesia/imagem
Quem me vai curar o coração partido?
Procura da Poesia

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Carlos Drummond de Andrade
Assim eu vejo a vida

Todas as Vidas
Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera
das obscuras!
Musica Também é Poesia

Corazón Partío (tradução) - Alejandro Sanz
Coração Partido
Tremedeiras neste coração partido...
Tremedeiras neste coração partido...
Você pode ver, que não existem dois sem três,
Que a vida vai e vem e que não se detém
E, o que sei eu?...
Mas minta para mim ainda que seja, me diz que resta algo
Entre nós dois, que em seu quarto
Nunca sai o sol, no existe o tempo nem a dor.
Leve-me se você quiser, a perder, a nenhum destino, sem nenhum por que
Já sei que o coração que não vê
É coração que não sente
O coração que te mente amor
Mas você sabe que no fundo da minha alma
Continua aquela dor por acreditar em você
O que aconteceu com a ilusão e a beleza do que é viver?
Para que me curaste quanto estava ferido
Se hoje me deixa de novo com o coração partido?
Quem vai me entregar suas emoções?
Quem vai me pedir que nunca lhe abandone?
Quem me cobrirá essa noite se fizer frio??
Quem me vai curar o coração partido?
Quem encherá de primaveras este janeiro,
E baixará a lua para que brinquemos?
Diga-me se tu vais, me diz, carinho meu,
Quem me vai curar o coração partido?
Dar somente aquilo que te sobra,
Nunca foi compartir, e sim dar esmola, amor.
Se tu não o sabes, eu te digo.
Depois da tormenta, sempre chega a calmaria.
Mas sei que depois de tí,
Depois de tí não há nada.
Para que me curaste quanto estava ferido
Se hoje me deixa de novo com o coração partido?
Curativos para este coração partido...
Curativos para este coração partido...
Para que me curaste quanto estava ferido
Se hoje me deixa de novo com o coração partido
Alejandro Sanz
Boca

A boca inspira-me
Vontade de tocar.
Beijos provar.
Sentir o quente nos lábios.
O macio da carne.
A malicia chama as caricias.
Boca que provoca arrepios.
Boca que sussurra palavras provocantes.
Boca que provoca os mais ocultos desejos.
Boca que solta os gritos.
Boca que esconde os gemidos.
Boca que tocada se faz desejada.
Boca que faz vibrar os sentidos.
Boca que faz liberar os, mas íntimos
Dos desejos e fantasias.
Boca que quer ser explorada.
Beijada tocada molhada
Com longos beijos.
Boca que bem manifestada
Leva-nos as maiores loucuras de amor.
A Flor de Lis
Fonte:www.astrid.zip.net
Remorso

Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!
O Vento na Ilha
O vento é um cavalo
Ouça como ele corre
Pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como recorre ao mundo
para me levar para longe.
Me esconde em teus braços
por somente esta noite,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.
Escuta como o vento
me chama calopando
para me levar para longe.
Com tua frente a minha frente,
com tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa me levar.
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando na sombra,
entretanto eu, emergido
debaixo teus grandes olhos,
por somente esta noite
descansarei, amor meu.
Pablo Neruda
Se precisar de mim!
Toda vez que precisar de mim
grite meu nome ao vento
ele me trará o recado.
Quando precisar de mim
ouça uma música suave
de olhos fechados.
Sempre que precisar de mim
olhe a lua
e a luz abraçará você como eu faria.
Se precisar de mim
dance na chuva
água que correr em teu corpo
serão as lágrimas que choraria com você.
E se não houver
vento, música, lua ou chuva,
faça uma oração
e o meu anjo se unirá ao seu.
para lhe por no colo e
lhe dar conforto
sempre que você precisar de mim.
Felipe Azevedo



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Eram deste mundo uma planície sem fim, e por velejar para o leste pudéssemos para sempre alcançar novos distâncias.